A transição: Assessoria pessoal e equipe de governo.

O sucesso do novo governo vai depender, em grande medida, da capacidade de o candidato eleito em trabalhar com estes dois grupos.
Há o grupo de campanha, que se sente tão vitorioso como o candidato, mais “proprietário” da vitória do que qualquer outro grupo – mesmo o dos dirigentes do partido. Há, por outro lado, um novo grupo, que começa a tomar forma com a vitória, composto de lideranças políticas, partidárias, técnicas e especialistas, que se constitui em função não da conquista da vitória e sim da composição do governo.
Normalmente, o grupo de campanha, se sente tão vitorioso como o candidato, mais “proprietário” da vitória do que qualquer outro grupo.
O primeiro grupo é altamente homogêneo. São pessoas que passaram pelas mesmas experiências juntos, que aprenderam a trabalhar em conjunto, e que “lutaram na guerra”, trazendo dela com orgulho, as “cicatrizes”, e as “medalhas”. O sucesso do novo governo vai depender, em grande medida, da capacidade de o candidato eleito em trabalhar com os dois grupos, reconstituindo uma nova equipe, agora voltada para o objetivo de fazer um bom governo.
Não é tarefa fácil. Qualquer que seja o andamento que se dê, haverá um deslocamento de poder, de atenção e de importância do grupo original (de campanha) para os novos integrantes da equipe. Este deslocamento, como é óbvio, não é bem visto pelos que perdem poder e importância.
Ao mesmo tempo, não é fácil também porque os novos integrantes não constituem um grupo. São indivíduos que vão sendo agregados à equipe, e que precisam adquirir os hábitos de trabalhar juntos, deliberar, administrar diferenças, até que possam funcionar como uma verdadeira equipe.
O candidato vitorioso terá que, habilidosa e inteligentemente, formar uma nova realidade (a nova equipe), que não se resolverá nem pela mera agregação de novos indivíduos, nem tampouco pela opção entre os dois conjuntos de colaboradores. Nas campanhas eleitorais tradicionais, antigas, este problema não existia.
A “turma” da campanha, composta de cabos eleitorais, amigos e assessores pessoais, não nutria maiores expectativas de influir e participar no governo. Com a posse da nova administração ocupavam, de bom grado, funções auxiliares e secundárias, ligadas mais ao contato com os eleitores e cabos eleitorais, e permaneciam na espera da futura eleição. Periodicamente reuniam-se socialmente com o eleito, ocasiões em que, em meio às libações, rememoravam a campanha, e seus momentos mais emocionantes.
Nas campanhas modernas a situação mudou muito. Como já tivemos a oportunidade de evidenciar, o núcleo da campanha moderna é constituído de especialistas qualificados em pesquisa, estratégia e publicidade. São profissionais preparados para sondar os sentimentos dos eleitores; para visualizar os caminhos políticos que devem ser seguidos, assim como identificar aqueles que não podem nem devem ser; e para acertar as formas de comunicação com a opinião pública, de forma persuasiva.
Além disso, a mais moderna tendência da política é a de abolir a diferença radical que costumava existir entre eleição e governo. Hoje, nos países mais avançados, trabalha-se com o conceito de campanha permanente, isto é, mesmo no poder, a preocupação com a próxima eleição passa a ser uma preocupação permanente de quem está no governo.
É claro que “campanha permanente” não é a mesma coisa que “campanha eleitoral”, mas ainda que em ritmo diferente, com produtos diferentes, as tarefas de pesquisar o eleitorado, avaliar e reformular estratégias, e política de comunicação social com a opinião pública, continuam em curso durante o governo.
Assim sendo, aquele núcleo central da campanha, continua sendo útil e necessário ao governante. Seria um desperdício desativar uma equipe de pesquisa/estratégia/comunicação que funcionou bem na campanha, e não utilizá-los no governo
A melhor solução é a de trazer para a assessoria pessoal do governante a equipe de campanha para prover, durante o governo, a “inteligência” e informações necessárias, assim como o fez durante a campanha. É a prática da “campanha permanente”. Ao mesmo tempo, constitui-se uma outra equipe, cuja principal responsabilidade é governar, dentro dos marcos estratégicos fixados pelo governante com sua assessoria.
As qualificações que serão buscadas para constituir a equipe para governar serão outras: capacidade e experiência administrativa, especialização na área, e, como é óbvio, também capacidade política, já que os cargos são políticos. Esta separação não é nem deve ser absoluta.  Quem trabalha na área específica também terá idéias e sugestões políticas, saberá o que se pode fazer e o que não se pode fazer, saberá os custos das escolhas. São pessoas que devem ser ouvidas, para que a execução da estratégia possa ser efetivada com sucesso.
Mas é a equipe de assessoramento estratégico do governante que possui aquela visão geral da política e do governo que a capacita a pensar a estratégia para o conjunto da administração e para o período do mandato.

politica para politicos.

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