Marco Feliciano ordena prisão de manifestantes em Santarém



Um pequeno grupo de manifestantes, que tentou bradar contra a presença do deputado Marco Feliciano, pastor evangélico e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, que participou ontem (30), na orla da cidade, em Santarém (PA), de um evento da igreja Assembleia de Deus, foi repreendido com brutalidade pela Polícia Militar. Seguranças contratados pela igreja começaram a agressão contra moças e rapazes, que sofreram violência e ainda foram vítimas da truculência policial. Três jovens foram detidos por perturbação e resistência a prisão. Outros sofreram lesões causadas pelas agressões dos policiais. A polícia também usou spray de pimenta para dispersar os manifestantes.

Os jovens detidos pela PM faziam parte do pequeno grupo de manifestantes, na maioria estudantes universitários, que se opõem contra Marco Feliciano pelas recentes declarações homofóbicas feitas por ele.

Quando fazia sua pregação, o pastor Marco Feliciano avistou a bandeira colorida do grupo e se dirigiu à PM com a seguinte frase: “Eu queria saber onde estão os policiais que estão aqui? Tem uma bandeirada do movimento GLBT sendo sacudida e essas pessoas estão atrapalhando o culto. Isso é proibido pela lei! Essas pessoas podem sair daqui presas e algemadas agora!”, determinou.

E foi a partir desta determinação que a confusão se generalizou com os seguranças contratados pela igreja Assembleia de Deus agredindo os manifestantes. A PM interveio, porém, com muita truculência. Os meganhas usaram cassetetes contra os estudantes, que apenas estavam ali para se posicionar contra um parlamentar, presidente de uma das mais importantes comissões da Câmara Federal, que faz declarações racistas contra homossexuais.

De acordo com as vítimas agredidas, os seguranças usaram armas de choque contra os manifestantes. Muitos deles estão com hematomas pelo corpo. Vale ressaltar que esses 'seguranças' não têm formação adequada para utilizar esse tipo de armamento e nem revistar a bolsa das pessoas como ocorreu.

A advogada dos manifestantes, Juliane Fontinele, informou que as agressões começaram da parte dos seguranças contratados pela igreja. “A segurança do local repetidamente agrediu. Num primeiro momento a polícia teria reagido de forma correta, depois com o Marco Feliciano dando o aval para que as pessoas fossem presas e saíssem de lá algemadas porque estavam cometendo crime e fazendo apologia aí foi quando o policiamento se desequilibrou e tentou conter o que não tinha para conter”, destaca.

Por sua vez, a advogada Eyceila Menezes, da Assembleia de Deus, disse que a igreja não vai proceder contra os manifestantes.

Os jovens Renan Luis, Pedro George e Gean Miranda foram apresentados na delegacia e enquadrados na forma da lei por perturbação da ordem pública e resistência à prisão.
 
fonte: Quarto Poder

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