EUA se preparam para possível ação na Síria, diz secretário de Defesa

Chuck Hagel falou que o Pentágono mobiliza forças para possível ação.
Obama pediu 'opções' caso decida pela retaliação após ataque, disse.

O Pentágono mobiliza forças para uma possível ação militar contra a Síria caso o presidente Barack Obama decida por esta opção, revelou nesta sexta-feira o secretário americano de Defesa, Chuck Hagel. Obama deu entrevista exclusica à CNN sobre o tema, conforme mostrou a GloboNews (veja vídeo ao lado).
Diante dos apelos para uma intervenção militar após o suposto ataque com armas químicas por parte do regime sírio esta semana, os comandantes americanos preparam uma gama de "opções" para o caso de Obama decidir lançar um ataque contra o regime de Damasco, disse Hagel à imprensa a bordo de um avião a caminho da Malásia.
Hagel, que não revelou qualquer detalhe sobre o posicionamento das tropas, destacou que "o departamento de Defesa tem a responsabilidade de prover ao presidente opções para todo tipo de contingência".
Chuck Hagel falou que o Pentágono mobiliza forças para possível ação (Foto: Paul J. Richards/AFP)Chuck Hagel falou que o Pentágono mobiliza forças
para possível ação (Foto: Paul J. Richards/AFP)
"O presidente solicitou opções ao departamento de Defesa. Como sempre, o departamento de Defesa está preparado para proporcionar todas as opções para todas as contingências ao presidente dos Estados Unidos", destacou Hagel.
Segundo um funcionário do Pentágono, a Marinha americana manteve no Mediterrâneo um quarto destróier equipado com mísseis de cruzeiro, o USS Mahan, que permanecerá na VI Frota e não retornará ao porto de Norfolk.
A princípio, o USS Mahan seria substituído pelo USS Ramage na VI Frota, que agora terá quatro destróiers - Gravely, Barry, Mahan e Ramage - equipados com dezenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk.
Este reforço permite ao Pentágono agir mais rapidamente caso Obama decida por uma ação militar contra Damasco.
Divergências
A imprensa americana tem revelado divergências dentro do governo sobre os riscos de outra intervenção militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Obama classificou nesta sexta-feira de muito preocupante a possibilidade de o regime sírio ter usado armas químicas: 'o que temos visto indica que é claramente um grande evento, de muita preocupação, e nós já estamos em contato com toda a comunidade internacional'.
Na quarta-feira, o Exército sírio realizou uma ofensiva contra os redutos rebeldes de Ghuta oriental e Mouadamiyat al-Sham, localizados, respectivamente, na periferia leste e oeste de Damasco, causando um número de vítimas ainda indeterminado.
A oposição acusou o regime de utilizar gases tóxicos contra civis nos subúrbios da capital, em um ataque que deixou 1.300 mortos, o que é negado categoricamente pelo governo sírio.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que se baseia em uma ampla rede de ativistas e médicos em todo o país, registrou 170 mortes na região, e não confirmou o uso de armas químicas.
A ONG, no entanto, indicou que o regime bombardeou de forma sistemática a zona citada entre quarta e quinta-feira.
Uma eventual intervenção militar na Síria é rejeitada por Moscou, um tradicional aliado de Damasco, que considera o 'uso da força inaceitável'.
A Rússia reagiu assim à posição do ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que declarou que, se o uso de armas químicas pelo regime sírio for comprovado, será necessário 'uma ação que pode assumir a forma de uma reação de força'.
O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, declarou nesta sexta que o atentado de quarta-feira foi sim 'um ataque químico do regime de Assad'.
A Suécia também manifestou sua certeza quanto a autoria do ataque e o uso de substâncias tóxicas.
Conflito
A Síria enfrenta, desde março de 2011, uma guerra civil que já deixou pelo menos 100 mil mortos, destruiu a infraestrutura e gerou uma crise humanitária no país. Acuados pelo conflito, mais de 2 milhões de sírios deixaram o país rumo aos países vizinhos, gerando uma crise de refugiados e aumentando a instabilidade da região.
Desde o início do conflito em março de 2011, os EUA se limitam a oferecer apoio não letal aos rebeldes sírios e a fornecer ajuda humanitária.
Em junho, a administração Obama prometeu "apoio militar" aos rebeldes, embora tenha mantido certa indefinição sobre a natureza dessa ajuda.
Os EUA têm pouco apetite para intervir na região, uma vez que a rebelião é cada vez mais dominada por militantes islamitas com vínculos com a rede terrorista da Al-Qaeda.
A Rússia, que tem interesses econômicos e estratégicos na região, é a principal aliada do governo sírio, e tem vetado resoluções sobre a Síria no âmbito do Conselho de Segurança.
China e Irã também são importantes aliados do presidente sírio Assad.
Ataque com armas químicas
Na sexta-feira,  a ONU aumentou na pressão  sobre o regime sírio para que autorize os inspetores internacionais a visitar os lugares onde armas químicas teriam sido usadas, e enviou uma especialista em desarmamento a Damasco.
Grupos opositores sírios afirmam que 1.300 pessoas morreram nos ataques com gases lançados ao sudoeste e ao leste da capital na última quarta.
Apesar de o governo americano afirmar que ainda não é capaz de dizer categoricamente que armas químicas foram usadas, Stephen Johnson, um ex-especialista do Exército britânico que hoje integra o departamento forense da Universidade de Cranfield, na Inglaterra, afirma que o número crescente de indícios visuais parecem apontar para o uso desse tipo de arma.
Dezenas de pessoas, sendo muitas crianças, morreram nos ataques com gases lançados na última quarta (Foto: Shaam News Network/AP)Dezenas de pessoas, sendo muitas crianças, morreram nos ataques com gases lançados na última quarta (Foto: Shaam News Network/AP)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

VEJA O VÍDEO DO ESTUPRO DA MENINA DE 14 ANOS NA COLÔNIA AGRÍCOLA PENAL NO PARÁ QUE REPERCUTIU NO MUNDO

SOMENTE PARA MAIORES DE DEZOITO ANOS. FOTOS NUAS DE BB!

Divulgada lista de aprovados no concurso para cargos de escrivão, investigador e papiloscopista