O amanhã


Você, torcedor vascaíno, acorda (dorme) de ressaca. A pior de todas. Aquela que lhe impuseram. O envenenamento desse tal “novo” Vasco atingiu a tantos em tão pouco tempo, que sua coca, fanta, guaraná ou água pareceu ter sido incrementada com alguma droga alucinógena.
No momento em que se deu o golpe contra o Vasco, em junho de 2008, o clube estava, como sabemos, na nona colocação do Campeonato Brasileiro, após oito rodadas, já tendo atuado em um clássico diante do Botafogo no Engenhão, com 10 reservas, e ainda contra os 2º, 3º e 4º colocados do campeonato ao final daquele ano (Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras).
Os salários estavam em dia (atletas e funcionários), havia certidões positivas com efeito de negativas, o clube tinha suas dívidas equacionadas (cumpria acordos), a base era 100% do Vasco (ou próximo disso), o clube possuía esportes olímpicos e pan-americanos, desde a base, com grande performance em vários deles, destacando-se o Remo, àquela altura 49 pontos à frente do vice Flamengo na disputa do Campeonato Estadual, sedes conservadas, mantendo a do Vasco-Barra, alugada, e utilizando ainda as dependências da localizada à Rodovia Washington Luiz, para as chamadas categorias inferiores.
O Vasco era partícipe do grupo recebedor das maiores fatias quanto às cotas de TV (junto a Corínthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo), com poder de decisão no Clube dos 13, entidade na qual Eurico Miranda ocupava o cargo de vice-presidente, respeito institucional em quaisquer entidades dirigentes do desporto nacional e ainda com 10,5 milhões de reais a serem recebidos pela gestão MUV/Dinamite, em três parcelas, a primeira no mês inicial dela. Isso tudo considerando uma despesa anual na ordem de 50 milhões de reais, no máximo, e mantendo a tradição de jamais ter caído de divisão na sua história.
Por falar em história, o Vasco era o único clube Pentacampeão Carioca Invicto (1924, 45, 47, 49, 92), o último Campeão Brasileiro no Rio de Janeiro, o último Campeão Sul-Americano no Rio de Janeiro (como ainda é), o clube carioca com a menor frequência (em rodadas) na zona do rebaixamento, comparando-se a Botafogo, Flamengo e Fluminense e isso com dívidas menores que seus três rivais diretos na cidade.
Como, diante de uma situação como essa, você vascaíno, poderia vislumbrar o quadro atual do nosso clube?
Para forçar a queda em 2008 o trabalho foi grande por parte da gestão MUV/Dinamite. Primeiro, houve a demissão de quase setenta funcionários, com menos de dois meses de gestão. Casos como o de um treinador que venceu a Copa do Brasil sub 17, diante do Santos de Neymar, dispensado no dia seguinte ao da conquista, gente que trabalhava na estrutura logística e que conhecia o clube e caminhos ainda não navegados pelos novos dirigentes.
Além disso, houve a conclusão de que clássicos não caberiam em São Januário, mas apenas no Maracanã. O clube desperdiçou, com isso, a chance de atuar naquele ano contra Botafogo e Fluminense em nosso estádio. Em meio à competição, a negociação de dois atletas titulares e de um reserva imediato (artilheiro do time naquele certame), junto a duas mudanças de treinador e nove contratações realizadas, com atletas sem condições físicas ou técnicas de atuar, conforme se veria no restante da competição.
A gestão MUV/Dinamite pegou o Vasco em nono lugar, chegou a sétimo, na décima rodada do certame, demorou mais nove para entrar na zona da degola e levou o clube ao primeiro rebaixamento de sua história, terminando o certame em 18º lugar, sofrendo a maior goleada nos confrontos frente ao modesto Vitória-BA (0 x 5), perdendo pela primeira vez na vida do Náutico e do Figueirense (no Rio de Janeiro), do lanterna Ipatinga, sendo goleado por Santos e São Paulo e deixando escapar a supremacia no confronto direto em Brasileiros que ostentava contra o principal rival rubro-negro, desde o início do século até aquele ano. Foram vexames e mais vexames e o epílogo inaceitável.
O maior erro da grande maioria da coletividade vascaína foi não dar um basta ali, cobrar de quem foi responsável por essa queda repentina e impedir a continuação daquilo que se mostrava essencialmente danoso ao Vasco.
Claro estava que esta não seria a postura da mídia convencional. Atrelada ao MUV envolveu os vascaínos com uma cantilena de reconstrução, tentando incutir a responsabilidade de um grupo numeroso de irresponsáveis e frustrados em quem não só impediria a catástrofe, como se ofereceu para isso há dez rodadas do fim, mesmo com o time, naquele momento, ocupando o último lugar na tabela.
A consequência do discurso reverberado com entusiasmo por setores interessados na continuação da farra proporcionou à gestão MUV/Dinamite carta branca para pintar e bordar com o Vasco.
Transformou-se a base vascaína no céu de empresários e fundos e a troca era das mais alvissareiras aos que adentravam no Vasco para investir no clube.
Uma série de atletas medíocres foram trazidos entre um ou outro de nome, a maioria com contratos longos e a garantia de que o Vasco ou veria um pequeno percentual na venda ou seria obrigado a aturar as malas por três quatro anos, pagando-lhes os salários devidos, por mais que pouco produzissem em campo.
Houve até a invenção de parceria com um clube da sexta divisão portuguesa para o qual atletas trazidos pelo Vasco embarcavam rumo a uma aventura que punha a marca Vasco ridicularizada na chamada “Liga dos Últimos”.
Se contratações dessem errado e custassem aos cofres do clube milhões e milhões em rescisões, ou mais perdas na base, pouco importava. O maior lucro obtido pelo clube adveio da base deixada aos novos gestores e até hoje ainda rende frutos, como o caso recente da negociação do jovem Marlone.
Mas falando em finanças, qual a armadilha arquitetada pela gestão MUV/Dinamite, reproduzida com prazer pela mídia e engolida por muitos vascaínos? Dívidas.
Ora, se o Vasco se apresentava como o clube que devia menos e equacionara melhor seus débitos (vide certidões obtidas, vide acordo na Justiça do Trabalho em melhores condições que Fluminense e Botafogo, vide cumprimento de seus compromissos) e ainda mantinha em dia os salários, conservava o patrimônio (o maior entre os clubes do Rio), ponteava na maior receita entre os clubes (a de TV), o que fazer para induzir a massa ao raciocínio contrário? Mexer no balanço patrimonial do clube. Com anuência do contador do Vasco? Não. Qual a solução, então? Demiti-lo e impor ao Vasco a condição de maior devedor do futebol brasileiro, na canetada.
O ano de 2009, até então o mais vergonhoso da história vascaína, foi traçado como o da reconstrução, do orgulho, do sentimento, da ilusão… como se vê hoje, a ponto de terem sido feitos vídeos comemorativos, documentários elaborados, livros escritos, tratando algo vexaminoso como monumental.
As consequências para 2010 foi um pequeno “cair na real”. Após um estadual razoável, o Brasileiro da Série A, contando com atletas do clube oriundos da Série B e mais de dez contratações naquele ano, o Vasco chegou ao penúltimo lugar da competição até a parada para a Copa 2010.
Começava a ficar cada vez mais difícil enganar o torcedor cruzmaltino e então, sem condição financeira alguma, o clube partiu para a contratação de mais seis, sete atletas para o restante da competição.
A melhora se deu com a manutenção de um enredo conhecido pelos lados de São Januário, desde o segundo semestre de 2008: atraso de salários, calote, gastança interna, terceirizações, abandono do patrimônio, euricofobia, atrelamento a qualquer marca, por mil reis que fosse, e uma notória falta de representatividade institucional nas mais diversas entidades.
O clube abriu 2011 no futebol com o pior início de Estadual de sua história. Resolução? Mais e mais contratações. Não interessa o valor, as condições, as consequências. O negócio era ganhar um título no futebol para obter a reeleição.
Havia quase uma unanimidade entre os vascaínos, que acompanham minimamente os fatos, sobre a total incapacidade de Roberto Dinamite, já se sabia de antemão que o Vasco havia regredido, mas mesmo assim o rebaixamento nas cotas de TV, imposto pela Rede Globo, tendo como condutor o Flamengo e cães amestrados, risonhos e satisfeitos, a cúpula vascaína, não trouxe lá tanta indignação.
A massificação midiática a respeito do tamanho do clube e a total falta de ação contrária a isso por parte de seus supostos representantes levou o torcedor cruzmaltino comum a se sentir realmente menor que um ou outro adversário queridinho da mídia. Não era raro encontrar alguns, com indumentária e tudo, repetindo o discurso global, como se escravo de tal discurso – que não prevaleceu por mais de 20 anos quando o Vasco ditou seu lugar entre os clubes brasileiros, independentemente da vontade de seus adversários – fosse.
Veio o título da Copa do Brasil, as eleições viciadas desde a origem, sem a participação da oposição, exatamente por este motivo, um título brasileiro perdido nos bastidores, uma Libertadores disputada com poucas expectativas de título, algo imposto ao torcedor por alguns atletas, dirigentes remunerados e gente que fingia estar o Vasco se planejando para chegar à principal competição das Américas ano a ano, quando de fato era flagrante o início de uma derrocada, por mais obscurecida que fosse nos discursos engendrados.
O ano de 2012 demonstra com clareza como ia o Vasco, para onde iria o Vasco. Após o mês de dezembro do ano anterior fechar com um calote autorizado via Conselho Deliberativo, com relação a dívidas do clube, que na visão situacionista e ancilar não deveriam ser honradas, em janeiro já se sabia que os salários do clube haviam se mantido atrasados mesmo durante a conquista da Copa do Brasil. Explicitou-se ainda naquele início de ano que a base vascaína vivia em estado precaríssimo, chegando ao ponto de num centro de treinamento do clube morrer um jovem, sem que houvesse atendimento médico no local.
Como no meio do ano de 2011, também em junho de 2012, o clube recebeu 30 milhões de reais antecipados, a partir, no último caso, da assinatura de um termo aditivo ao contrato de TV com a Globo – aumentando mais ainda a distância do clube para Corínthians e Flamengo – até 2018. Além disso, quatro atletas foram negociados, cabendo os mais variados percentuais ao Vasco nas transações de Allan, Fágner, Rômulo e Diego Souza (parte).
Os salários como um todo, entretanto, jamais foram postos em dia, junto aos direitos de imagem dos atletas, faltou água em São Januário e no segundo turno do Brasileirão de 2012, o clube fez, quase até o final, campanha de rebaixado, tendo sido salvo de uma situação pior pelos pontos acumulados até o desmanche do time. O dinheiro de tais vendas teria servido, segundo gente da própria direção, para satisfazer aos voluntariosos empresários, parceiros e fundos, que só fizeram ganhar dinheiro com o Vasco através dos anos.
No final da temporada, debandada geral, com uma série de atletas indo à Justiça para obter sua rescisão com o clube e respirar novos ares, enquanto rebotalhos de outras agremiações viriam para o Vasco, por não servirem a Cruzeiros, Atléticos, Vitórias, Figueirenses, etc…
O ano de 2013 começou com o Parque Aquático coberto por tapumes, um amontoado de atletas medíocres no elenco, um gerente de futebol vivendo próximo ao mundo da lua, dispensando um símbolo do clube, Felipe, convidando Pedrinho, após o dia de sua despedida no futebol para ficar e apostando no fraquíssimo elenco montado como digno de boas surpresas.
Mas surpresa mesmo foi a apresentada por Roberto Dinamite no início da temporada. O Vasco havia contratado um “regra três” para substituir Dinamite em sua função: O gremista Cristiano Koehler. Este chegou a ser posto ao lado de outros presidentes de clube (e aceitou fazer este papel) e passou a falar em responsabilidade administrativa, equacionamento de dívidas, mas sem garantir salários em dia. Só garantia mesmo que Dedé ficaria até o meio do ano. Não ficou. Dali por diante, no Vasco, enquanto o time caía pelas tabelas no estadual, só se falava em certidões. Se o clube obtivesse as certidões estaria tudo resolvido.
Houve a parada no meio do ano para a Copa das Confederações. O Vasco nem bem treinou, nem bem jogou, pouco contratou e voltaria para o Brasileiro sem um goleiro confiável, algo que já não possuía desde o início de 2013. Resultado disso? Tomou de cinco do Internacional-RS e foi para a zona de rebaixamento, mudou o técnico e caíram por terra os discursos de responsabilidade disso ou daquilo.
Como nada foi devidamente planejado, veio um pacote inteiro com atletas de grandes expectativas, sem que se vissem (como em 2008), o estado físico deles, ou a adaptação ao futebol daqui. Mas a presença no elenco de Fágner, Guiñazu, Juninho Pernambucano, Montoya e Reginaldo empolgaram Roberto Dinamite, a ponto de o presidente titular declarar que o Vasco era, a partir dali, candidato ao título.
Os últimos meses estão ainda vivos na memória de todos, ou praticamente todos.
As certidões chegaram, mais um patrocínio político foi conseguido – depois de o Vasco obter verba pública por conta do contrato selado com a Eletrobrás e jamais cumprido, desde o fiscal, que nada fiscalizou na prática, até o pedido do próprio fiscal, que lhe pagasse a parte devida para que fizesse aquilo que não fez – o clube fechou com a Nissan, que chegou a afirmar através de um gênio do seu marketing ser melhor para ela a queda do Vasco, que a manutenção do clube na primeira divisão, por razões de exposição de marca (a marca dela), um goleiro não foi trazido, Francismar, meia, que veio como última contratação em outubro não recebeu e virou carta fora do baralho, os salários permanecem atrasados, o clube ofereceu antes da última rodada da competição um bicho muito maior ao que se negou a dar em momentos nos quais uma vitória vascaína o tiraria do sufoco atual e o final de tudo isso se deu hoje – em mais um show de incompetência, frouxidão, resignação por parte da direção e de paupérrimo futebol por parte do time – com o segundo rebaixamento da gestão MUV/Dinamite em cinco anos.
Se neste período comprovou-se por parte da gestão, de seu séquito e de seu grupo de esteio, ancilar ou momentaneamente parceiro, uma total incapacidade de fazer, de enxergar, de se responsabilizar ou mesmo de se reciclar diante de tudo o que foi feito contra o Vasco, para a oposição do clube, proporcionou uma depuração como nunca antes houvera.
Sabe-se hoje, perfeitamente, quem esteve junto do poder, anteriormente ao golpe, sem qualquer convicção quanto a concepções e ideologias. Se Eurico Miranda se viu cercado por um grupo que o ajudou a construir o Vasco por mais de 20 anos, encontrou, para além disso, um novo grupo, renovado e disposto a mais, MUITO MAIS. Grupo este também depurado, após ser tido como morto pelos “experts” em política no clube.
Com ou sem Dinamite, teremos eleições no início do segundo semestre, rechaçaremos golpes via reforma estatutária, defenderemos o direito de voto dos novos associados do clube (mais de 3.000) e continuaremos nossa luta para não só informar como alertar os vascaínos quanto às tramoias arquitetadas pela Turma do Ódio, nos porões imundos de suas mentes poluídas.
Por fim, a certeza de que com a junção de experiência, juventude, aliado a trabalho, coragem, inteligência, sagacidade e bom senso, 2014 será o ano da retomada do Vasco aos trilhos, como locomotiva que é.
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.
Equipe Casac

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