VEJA: o propinoduto de Adir Assad

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Quando a “CPMI do Cachoeira” ameaçou escorrer pelos dedos dos seus membros as cortinas desceram: esse ponto foi alcançado quando a oposição, capitaneada pela dupla PSDB/DEM, aprovou a oitiva de um tal Adir Assad, havido como transeunte nas ruas da situação, e em alguns becos da oposição.
O PSDB forçou a oitiva de Assad como cunha para negociar a blindagem do governador de Goiás, Marconi Perillo. O PMDB aproveitou o gancho para pendurar a blindagem do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral e o PT, para relaxar, negociou a blindagem do governador do DF, Agnelo Queiroz.
E assim, antes que fizesse rebojo, acabou a “CMPI do Cachoeira”.
> O rei dos Laranjas
Mas eis que a ISTOÉ iluminou o “Propinoduto Tucano”, que hibernava no escuro. O PSDB intuiu que o furo teve as digitais do PT e resolveu apresentar ao mundo o engenheiro Adir Assad.
A capa da Veja caprichou nas tintas: “O rei dos laranjas. Como Adir Assad ajudou grandes empresas brasileiras a repassar 1 bilhão de reais em propinas a políticos e caixa dois de campanhas eleitorais”.
A matéria apresenta Assad como o “homem que faturou 1 bilhão de reais com uma rede de empresas que não existem mas oferecem um serviço muito valioso: corrupção e financiamento clandestino de campanhas eleitorais.”.
> Monitoramento
Desde 2007 o COAF reportava à Receita movimentos incompatíveis com o perfil das empresas que Assad controlava. Ainda, as empresas que lhe pagavam eram 90% contratadas do Governo Federal.
Segundo a Veja, entre 2006 e 2013 as empresas de Assad faturaram R$ 1 bilhão, pagos por 134 clientes, mas ninguém sabe, e nem viu, as obras ou serviços prestados para recebimento dos valores abaixo:
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Outra bizarrice das empresa de Assad: logo após depositados, os valores eram sacados em espécie.
> Ligações perigosas
Assad foi citado por Fernando Cavendish, ex-dono da Delta, em uma conversa gravada com autorização judicial, como um eficaz operador de dinheiro “por fora”. Foi nessa conversa que Cavendish gabou-se que bastava botar 30 milhões na mão de políticos, que era convidado “para coisas para c...". De de fato Cavendish foi convidado não só para o “c”, como para o “a” e o “b”.
Outra coincidência: uma das empresas de Assad, a Sigma Engenharia, foi vendida a Cavendish que, imediatamente, contratou os serviços de consultoria de José Dirceu.
> Suspeitas
O Ministério Público e a PF suspeitam que as empresas de Assad formavam um propinoduto: uma ponta espetava-se nas empresas prestadora de obras e serviços ao Governo Federal, e na outra ponta políticos e funcionários públicos. Claro que Assad cobrava a sua “taxa de administração”, ora pois.
E como dizia o meu pai, como “quem parte e reparte e fica com a menor parte ou é besta ou não tem arte”, a Veja insinua que a maior parte do que trafegava pelo propinoduto ficava com alguns seres genuflexos ao Planalto.
> Gente graúda
Informa a Veja que “na semana passada, ficaram prontos os primeiros laudos contábeis do inquérito da Delta” e, omitindo nomes que lá devem estar, a revista manda recados: "É um caso muito sensível que pode respingar em muita gente poderosa".
E mais recados: a JBS Friboi pagou, em 2010, na “véspera da eleição”, R$ 1 milhão a Assad, e a usina São Fernando Açúcar e Álcool desembolsou 3 milhões de reais para Assad em 2011. E daí? É que, segundo a Veja, o dono da JBS é “amigo do peito do ex-presidente Lula” e a o dono da São Fernando vem a ser compadre de Lula.
> Muito trabalho
A Veja perguntou a Assad qual o segredo do seu sucesso meteórico. Assad respondeu que não podia falar “porque o caso corre em segredo de Justiça”, mas o que ele podia dizer é que “trabalhava muito”.
É verdade: sacar R$ 1 bilhão e transporta-lo alhures, deve dar muito trabalho.

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